sábado, 6 de novembro de 2010

ESCRAVOS DA MÍDIA

Olhe através do meu olhar opaco
onde todas as minhas células em rebelião...
O mundo questionando o fundo do meu limite,
o corpo não esconde, responde à essa pressão.

Há um ciclo cruel na vida, você cresce e não presta muita atenção.
Entra nessa onda que não sossega enquanto não tem casa e carro na mão.
Geramos filhos e nos fazemos para eles escravos,
passamos a vida construindo para no fim avaliar nossos estragos.

Fechamos os olhos na adolescência e só abrimos na velhice,
e é nesse piscar de olhos da vida que se revela toda nossa idiotice,
escravos da mídia...

Olhe através do olhar opaco desses lindos casais em eventos sociais.
Eles têm casa, carro, família, e debutam as suas filhas para as fotos nos jornais.
E às vezes tomam calmantes para dormir, e se embriagam para rir...
Uma esmola da vida a esses seres especiais!

Isso é tudo que eu não concordo, essa mania de padronizar a felicidade
como se vendesse embalada em pacotes,
tão sem privacidade, tão fora da realidade!
Voltando toda a pressão do mundo aos que se recusam,
sobrecarregando as energias desses que se entregam à ela,
sacrificando as crianças com os artifícios que usam,
e transformando a cidade em grandes campos de guerra...

Essa é toda a pressão que eu não aceito mais para o meu corpo!
Olha quanta fortuna deixou para trás aquele homem ali morto...

Fechamos os olhos na adolescência e só abrimos na velhice,
e é nesse piscar de olhos da vida que se revela toda a nossa idiotice...
ESCRAVOS DA MÍDIA!

(letra de música by Cris de Sene)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

100

100 tempo para corresponder expectativas
100 espaço para testar alternativas
100 saco para revidar melindres bobos
100 fôlego para ouvir tudo de novo

com vontade de novos ares,
curiosidade por novos bares.
ânsia para acertar um esquema
e sair fora do sistema.

100 medo de satisfazer algumas vontades
100 orgulho para desfazer inimizades
100 culpa para admitir meus erros todos
com fôlego para começar tudo de novo!

(letra de música by Cris de Sene)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

humana

Sou um laboratório de mim mesma.
Aberta às experiências da personalidade.
Sou dualidade, ambivalência, adaptação.
Sou aquilo que o momento pedir,
sou o que você merecer que eu seja.
Nasci à meia-noite, me sinto começo e fim. Dia que chega, noite que vai...
Me sinto ternura e ira, medo e coragem, ação e reação.
A mais feia das bonitas, a mais bonita das feias.
A amiga ou a rival, a psicanalista ou a psicopata, a lady ou a lavadeira.
Subo no palco só pra assistir o público me assistindo.
Sou infinitamente livre, desesperadamente escrava.
Às vezes tão racional que não sinto. Outras, tão passional que não raciocino.
Me entorto de gargalhar, depois perco o fôlego de chorar.
Busco a verdade, e depois, uma fuga para ela.
Quanto mais eu leio, menos eu sei.
Entre os sensatos me sinto louca, entre os loucos sou careta.
Não me encaixo em nenhum lugar, mas tenho portas abertas em todos.
Amo o criador, odeio o que fizeram com o mundo que ele criou.
Construo vitórias para me fortalecer e atraio invejosos que buscam me enfraquecer.
O remédio que me cura é também o veneno que me adoece.
O amor me deixa com um pé no céu, outro no inferno.
Minhas mãos acariciam alguém ou enfurecem uma guitarra.
Te cubro de beijos ou de ofensas.
Talvez você me homenageie, ou talvez tente me afogar na privada,
porque às vezes sou amada, outras odiada...
Quanto mais me explico, menos me faço compreender.
Sou arquiteta, cantora, guitarrista, ou qualquer outra coisa que me seduza a ser.
Mas a vida é frágil e a qualquer momento posso não ser mais nada.
Escolho as pessoas conforme o rastro que elas deixam.
Se você me trair, te abandono.
Tente me derrubar que eu fico ainda mais forte.
Procuro viver de forma que no fim tenha valido a pena.
Prefiro mil fracassos do que sonhos poucos ou pequenos.
Mas não me leve a sério, posso mudar tudo de repente...
Sou humana, demasiadamente humana.

Não confio

Não confio na mão que acaricia e que outrora te prende.
Não confio na palavra que elogia e que outrora te ofende.
Não confio no dia que vira noite,
não confio na política ou na polícia.
Desconfio de palavras inocentes de boca salivando malícia.

Deixo as palavras me atravessarem num fogo cruzado de guerra.
Não me ilude nem mesmo o espelho,
as imagens que eu achava que eu era.
Não me ilude o que eu carrego no bolso, e nem na cabeça.
Sigo tapando olhos e ouvidos, deixando que a vida aconteça...

(letra de música by Cris de Sene)