sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Para você

Para você, um diálogo de mãos que tocam,
mas não devem se tocar...
Olhos perdidos, inseguros,
que fogem da grandeza de outro olhar...
Uma criança que chora porque não pode usar o sapato de salto da mãe.
Não me pergunte agora! Nem eu sei o que posso te dar se tudo você já tem...

Mas para você um cálice cheio da melhor bebida que eu puder te dar,
e uma luz que brilha ainda mais forte sempre que alguém tenta apagar!
Todos os momentos em dobro,
já que não deu para chegar mais cedo.
Metade do que eu tenho para dizer é verdade,
a outra metade eu prefiro guardar segredo...

Passei por aqui

Para te tocar com a luz, apenas passei por aqui
Enchi sua alma de estrelas e depois fingi que fugi.
Mas deixei minhas flores no chão e um presente na sua mão.
Um arco-íris te espera no fim da escuridão.

Há uma fresta pequena, eu te ajudo a passar,
onde a dor é amena...
E eu vejo esse dia chegar!

Eu canto para essa criança que se esqueceu de crescer,
cujo cabelo balança a lembrança,
na esperança de se esconder...

O motivo é o amor

O motivo é o amor,
o objetivo é o amor,
faço isso por você, por mim, por nós, faço isso pra crescer...

Não importa onde vamos
e o resultado que nós vamos ter,
o que importa é a qualidade do momento
do que eu vivo com você...

Nossos desejos nos foram colocados
como bons pretextos para estarmos lado a lado
aqui, eu e você, com o que temos que aprender.

E se nós não concordarmos já não tem problema
porque o amor é o motivo e o objetivo
que faz valer a pena!

A vida planejou essa situação
Para nos proporcionar um momento de sublime união!

A VIDA

A vida é mais que um emprego, é oportunidade de se relacionar com amor.
A vida é mais que trabalho, ela é o empenho de fazer o melhor.
A vida é mais do que eu ou você nos defendendo,
maior que qualquer desejo, qualquer segredo nos escondendo.

A vida é mais que dinheiro ou miséria, é abundância da criação.
A vida é mais que inveja ou vaidade, é igualdade onde somos irmãos.
A vida é mais que essa solidão nos machucando,
ela é pessoa a pessoa se olhando na rua, se encontrando!

A vida é mais que presença ou ausência de alguém , ela é o existir.
A vida é mais que pensar tão pequeno, é sonhar, contemplar e sentir.
A vida é mais do que se proteger dos pesadelos,
é enfrentar os fantasmas que assombram as casas e compreendê-los.

A vida é mais que aprender e ensinar, ela é ser aprendiz, não ter medo de errar.
Ter a coragem de se entregar, ela é viver um caminho e não um lugar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

PORTAS

Do lado de fora dessa porta mora uma frustração,
uma tentativa fracassada de diálogo,
uma falta de direção.
Mora uma lembrança triste,
uma busca incessante de apoio que não existe.
Mora ali no cômodo ao lado, em um lugar imaginário,
em um universo paralelo,
alguma coisa que não se coloca,
que não se convida, não se põe à disposição.

Do lado de fora dessa porta moram irmãos siameses,
um monstro e um doente,
queimando no próprio ódio,
sufocando na própria solidão.

Divididos por uma parede,
amores desencontrados,
náufragos viajantes,
desilidudos e perturbados.

Do lado de fora dessa porta mora esse barulho,
Mora essa presença que é ausência,
mora esse algo que não se tem
mas que teme se perder!

Do lado de dentro dessa porta,
alguém com espírito peregrino
faz refém seu próprio destino,
transformando lágrimas em palavras,
reinventando os fatos e o sentido,
perdendo a noção do perigo...

Só pode restar que um dia a porta se abra,
e promova algum tipo de encontro,
promova algum tipo de paz,
algum tipo de morte
e traga com isso um pouco de sorte.

E enquanto almas se dividem por portas,
Sonhos se dividem com perdas.
Pedras se colocam em ambos os caminhos,
que solitários, não movem moínhos.

TALVEZ ELA SANGRE

Talvez ela corte os pulsos
para sangrar nas suas roupas,
para manchar os seus livros,
pintar de vermelho suas coisas todas,
e todas as coisas que não deu ouvidos!

Talvez ela corte os pulsos
e saia andando pela casa,
e saia voando pela janela,
e caia seu corpo no meio da sala,
e caia sua vida com a vida dela...

Talvez ela corte os pulsos,
e deixe um bilhete para a família,
para nunca mais ouvir seus passos,
nunca mais ouvir seu silêncio,
nunca mais carregar seus fracassos,
nem mais revidar seus tormentos!

Talvez ela fique louca,
talvez ela faça isso hoje,
talvez ela faça isso nunca!
Mas talvez ela deixe você,
e não precise mais querer morrer
nem queira mais precisar viver.

Talvez ela corte mesmo os pulsos,
e deixe você com a culpa,
e sangre por toda a casa,
e entregue você aos fantasmas,
e sangre nas suas coisas,
para que lembre do que não fez,
lembre do que não foi,
lembre do que não soube,
e do que não se importou,
e assim esqueça tudo que um dia já sonhou.

O QUE FALTA

Me dê um pouco do seu nada que me seja alguma coisa.
Qualquer coisa que lhe seja é tudo que me falta!
Me dê um pouco do que procura e não encontra,
que já me serve!
Me dê um pouco do que reclama,
me dê um pouco do que lhe sofre,
me dê uma gota do que te chora,
me dê um espaço que não tem...
Sua falta de sentido enche de sentido a minha alma,
sua falta de direção me dá rumo...
Seu corpo sem alma preenche meu espírito,
me abastece até sua falta de combustível...
Me protejo sob a sombra do seu perigo
e qualquer coisa que não te seja é também o que preciso.
Aquilo que você não vê me é visão do paraíso,
aquilo que te confunde me esclarece,
aquilo que te falta me enriquece.
Me dê um pouco de você, por menor que se considere.
Me ofereça o que não tem,
que eu construo nisso um império.
Me dê ao menos alguma coisa,
para que alguma coisa eu lhe retribua,
e desse nada surja ao menos um bom motivo para aqui estarmos...

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

NOVA HOSPEDAGEM

Preciso falar, dividir, sair de casa um pouco!
Às vezes você me olha como se eu fosse o que restou de mim...
Não preciso esperar, nem pedir! Já descobri meu lado louco!
Isso a gente só aprende arriscando...

A minha liberdade de escolha é o analgésico me consolando
Sob o efeito da dor dos seus músculos me prendendo,
mas ainda vamos ver quem é mais forte, vai me escutando!
Isso a gente só aprende vivendo...

Quando atravessei a porta, pude sentir o cheiro da sensação...
A vida já me esperava na esquina,
com todo seu perigo e excitação!
Olhei para trás, vi um rosto doente,
senti pena, mas raiva não,
e isso a gente só aprende sofrendo...

Todas as ruas estão livres para dar passagem!
Meu coração está sempre aberto à uma nova hospedagem...

(letra de música by Cris de Sene)

CELA

Ninguém escolhe o que se passa na cabeça pesada
de um bicho entre quatro paredes,
janela fechada...
Tentando ser bom, mas tão só!
É tudo tão seu, só...

Ninguém chega, a gente também não sai,
o barulho do mundo lá fora
é uma bola de neve que vai, e vai, e vai...
Tentando ser bom, mas tão só!
É tudo tão seu, só...

Ninguém escolhe, ninguém esconde,
ninguém consegue escapar,
e fica olhando da janela
as mesmas coisas sempre no mesmo lugar,
e vai,
tentando ser bom, mas tão só!
É tudo tão seu, só...

(letra de música by Cris de Sene)

sábado, 6 de novembro de 2010

ESCRAVOS DA MÍDIA

Olhe através do meu olhar opaco
onde todas as minhas células em rebelião...
O mundo questionando o fundo do meu limite,
o corpo não esconde, responde à essa pressão.

Há um ciclo cruel na vida, você cresce e não presta muita atenção.
Entra nessa onda que não sossega enquanto não tem casa e carro na mão.
Geramos filhos e nos fazemos para eles escravos,
passamos a vida construindo para no fim avaliar nossos estragos.

Fechamos os olhos na adolescência e só abrimos na velhice,
e é nesse piscar de olhos da vida que se revela toda nossa idiotice,
escravos da mídia...

Olhe através do olhar opaco desses lindos casais em eventos sociais.
Eles têm casa, carro, família, e debutam as suas filhas para as fotos nos jornais.
E às vezes tomam calmantes para dormir, e se embriagam para rir...
Uma esmola da vida a esses seres especiais!

Isso é tudo que eu não concordo, essa mania de padronizar a felicidade
como se vendesse embalada em pacotes,
tão sem privacidade, tão fora da realidade!
Voltando toda a pressão do mundo aos que se recusam,
sobrecarregando as energias desses que se entregam à ela,
sacrificando as crianças com os artifícios que usam,
e transformando a cidade em grandes campos de guerra...

Essa é toda a pressão que eu não aceito mais para o meu corpo!
Olha quanta fortuna deixou para trás aquele homem ali morto...

Fechamos os olhos na adolescência e só abrimos na velhice,
e é nesse piscar de olhos da vida que se revela toda a nossa idiotice...
ESCRAVOS DA MÍDIA!

(letra de música by Cris de Sene)

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

100

100 tempo para corresponder expectativas
100 espaço para testar alternativas
100 saco para revidar melindres bobos
100 fôlego para ouvir tudo de novo

com vontade de novos ares,
curiosidade por novos bares.
ânsia para acertar um esquema
e sair fora do sistema.

100 medo de satisfazer algumas vontades
100 orgulho para desfazer inimizades
100 culpa para admitir meus erros todos
com fôlego para começar tudo de novo!

(letra de música by Cris de Sene)

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

humana

Sou um laboratório de mim mesma.
Aberta às experiências da personalidade.
Sou dualidade, ambivalência, adaptação.
Sou aquilo que o momento pedir,
sou o que você merecer que eu seja.
Nasci à meia-noite, me sinto começo e fim. Dia que chega, noite que vai...
Me sinto ternura e ira, medo e coragem, ação e reação.
A mais feia das bonitas, a mais bonita das feias.
A amiga ou a rival, a psicanalista ou a psicopata, a lady ou a lavadeira.
Subo no palco só pra assistir o público me assistindo.
Sou infinitamente livre, desesperadamente escrava.
Às vezes tão racional que não sinto. Outras, tão passional que não raciocino.
Me entorto de gargalhar, depois perco o fôlego de chorar.
Busco a verdade, e depois, uma fuga para ela.
Quanto mais eu leio, menos eu sei.
Entre os sensatos me sinto louca, entre os loucos sou careta.
Não me encaixo em nenhum lugar, mas tenho portas abertas em todos.
Amo o criador, odeio o que fizeram com o mundo que ele criou.
Construo vitórias para me fortalecer e atraio invejosos que buscam me enfraquecer.
O remédio que me cura é também o veneno que me adoece.
O amor me deixa com um pé no céu, outro no inferno.
Minhas mãos acariciam alguém ou enfurecem uma guitarra.
Te cubro de beijos ou de ofensas.
Talvez você me homenageie, ou talvez tente me afogar na privada,
porque às vezes sou amada, outras odiada...
Quanto mais me explico, menos me faço compreender.
Sou arquiteta, cantora, guitarrista, ou qualquer outra coisa que me seduza a ser.
Mas a vida é frágil e a qualquer momento posso não ser mais nada.
Escolho as pessoas conforme o rastro que elas deixam.
Se você me trair, te abandono.
Tente me derrubar que eu fico ainda mais forte.
Procuro viver de forma que no fim tenha valido a pena.
Prefiro mil fracassos do que sonhos poucos ou pequenos.
Mas não me leve a sério, posso mudar tudo de repente...
Sou humana, demasiadamente humana.

Não confio

Não confio na mão que acaricia e que outrora te prende.
Não confio na palavra que elogia e que outrora te ofende.
Não confio no dia que vira noite,
não confio na política ou na polícia.
Desconfio de palavras inocentes de boca salivando malícia.

Deixo as palavras me atravessarem num fogo cruzado de guerra.
Não me ilude nem mesmo o espelho,
as imagens que eu achava que eu era.
Não me ilude o que eu carrego no bolso, e nem na cabeça.
Sigo tapando olhos e ouvidos, deixando que a vida aconteça...

(letra de música by Cris de Sene)

domingo, 31 de outubro de 2010

ME ERRA

Hoje vê se me erra,
faz de conta que virei poeira...
Virei estrela cadente, atravessei o continente,
hoje esquece meu nome, ignora minha presença!
ando meio sem paciência...
Hoje respeita meu sono,
não invade o meu espaço.
Me dê meu direito de sentir cansaço,
só por hoje quero ser invisível, quero voz muda,
quero cérebro desligado, relógio parado...
Só por hoje eu quero ser irresponsável
(letra de música by Cris de Sene)

Esses fantasmas...

Esses fantasmas que ficam em mim, fazendo barulho...
Saudades de quem não conheço,
vontade de algo que não sei...
Culpas que nem mereço,
verdades que não falei...
Algo que não me lembro e não consigo esquecer.
Algo que fica doendo, sofrimento que dá prazer.

Sinto um estranhamento enorme de mim,
me surpreendo com um pensamento que não tem fim.

sábado, 30 de outubro de 2010

Sábado é dia de Cris!

Sábado é dia de Cris!
Adoro sair para comprar coisas de mulher, principalmente para que a praticidade do cotidiano não sufoque minha feminilidade, nem minha capacidade de presentear a mim mesma.
Sábado é dia de minha própria companhia.
E gosto de fazer isso no calçadão, pois as pessoas de verdade são bem mais divertidas do que as tediosas pessoas de mentira que perambulam no shopping...
Sábado é dia de tomar garapa com abacaxi no saudoso João Garapeiro, comprar cosméticos, andar a pé e rir das pessoas mais doidas e divertidas que, por algum engano, andam soltas pela cidade ao invés de confinadas no manicômio...

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

SEDE

O COPO CAIU NO CHÃO.

MAS FICOU UM POUCO DE ÁGUA NO FUNDO...

SE EU DEIXAR O COPO AQUI POR ENQUANTO,
TALVEZ AINDA CHOVA E
ENCHA O COPO NOVAMENTE...

MAS NÃO VEJO NENHUMA NÚVEM NO CÉU.


SE PUDESSE SALTAR NO TEMPO,
DIRETO AO FUTURO,
PULARIA ESTA SEDE,

MAS E SE EU SALTASSE NO TEMPO
RUMO AO PASSADO,
ONDE EU ACREDITAVA NA FORÇA DESTAS ÁGUAS?

SINTO SAUDADES DE VIVER NO FUNDO DE UM RIO...

A FELICIDADE ERA MAIS VERDADEIRA
QUANDO BASEADA NA MENTIRA
DE QUE EU PODERIA RESPIRAR DENTRO D'ÁGUA.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

MUNDO CÃO

Coitados dos cães, ofendê-los deste jeito.
Quem dera o mundo fosse como os cãezinhos, tão amigáveis.
Mas a realidade é severa.
Novamente meu carro foi arrombado, e pra levar um sonzinho de cento e poucos reais, o cara arromba minha porta, quer só o conserto fica em 450,00...
Já é a segunda vez esse ano.